Dia 10: Cuesta del Lipan e Salinas Grandes

 

"Uma vida só, uma vida só
Uma vida só, uma vida só
Sou caixeiro, feliz viajante
Eu tô seguro na pista, por um triz
Eu tô inteiro na raça
Fazendo o que eu sempre quis
Fazendo o que eu sempre fiz"
Km do dia: 452

Uma noite mal dormida e a ansiedade de estar à mercê das condições climáticas, não é comum nessa época do ano o Paso de Jama ficar cerrado, e também não é comum chuva no Atacama, mas há previsão de chuva, incrivel estar numa das regiões mais áridas do planeta e enfrentando chuva e neve.

Fizemos um comitê eu, o casal de floripa, o Lucas e nossos amigos do pedal, para irmos na aduana vermos se havia alguma boa notícia e nada.

Por volta das 9:00 um funcionário da aduana que estava no posto de serviços disse que eles iam liberar o paso e foi aquela alegria e correria geral... eu fui montar a bagagem na moto mas passados uns15 minutos vi o Alexandre voltando na camionete... o paso havia sido fechado... a explicação é que alguns autos que vinham pelo Paso do lado chileno pararam para fotografar a neve e caminhões que vinham atras não conseguiram parar e atravessaram na pista Pütz.

Ficamos sabendo que iam passar um caminhão limpa neve na estrada e viriam 5 Caminhões traçados do Chile para compactar a neve e, quando esses caminhões chegassem seria decidido a liberação ou não... então resolvemos aguardar.

O Lucas me disse que era a quarta vez que tentava chegar no Atacama pelo Paso de Jama e era a quarta vez que não conseguia... começamos a chama lo de Mick Jagger e colocar a culpa nele pelo fechamento do Paso.

A previsão do tempo para o paso durante  essa semana nao estava nada boa... previsão de chuva e neve. Há um fenômeno que chamam de viento Branco, que é a neve que vem em rajadas tampando todo o pára-brisas dos carros por exemplo.

Quando veio a notícia que mais um dia o paso ficaria cerrado, a ficha caiu de vez, já tinha queimado toda a gordura do meu planejamento aguardando a abertura e além disso havia o problema da volta, era totalmente imprevisível quando abriria o paso e por quanto tempo permaneceria aberto, ou seja, eu corrria o risco de passar para o lado chileno e ficar preso lá com o Paso cerrado novamente.



Apos essa notícia o desânimo foi geral. Os caminhoneiros não tinham como voltar mas os particulares todos começaram a voltar, inclusive gente que tinha reservas em hoteis de San Pedro do Atacama.

Resolvi acionar o plano B, era remota a hipótese mas caso acontecesse e aconteceu, eu teria que voltar com outros objetivos, e assim fiz... bagagem na moto, tirei as últimas fotos do lado chileno do Paso de Jama e parti para a descida da  cordilheira dos Andes pela costa do Lipan, um passeio pelos Salares de Jama e Salinas Grandes, e o retorno ao Brasil por um trajeto diferente cruzando o Paraguai por Assunção e parando em Ciudad del Leste antes de entrar no Brasil.



Parti do Paso de Jama as 13hs, era inacreditável o céu de brigadeiro ali e a apenas alguns kms o lado chileno com neve e chuva.

 


Já na Ruta vieram 2 bigtrails e fiz sinal pra pararem eram 2 motociclistas do Uruguai em 2 KTM Adv, passei pra eles a informação do Paso Cerrado e das condições lá no Paso, me perguntaram sobre a hospedagem e resolveram tentar a sorte.

 

Uma centena de quilômetros a frente vieram 2 grupos cm cerca de 20 motos rumo ao Paso, fiz sinal de cerrado mas não sei se entenderam, aliás era até difícil de entender com aquele céu e sol do lado argentino.

Comecei a descer a cordilheira pela costa do Lipan, cuesta del lipan, que é patrimônio mundial da humanidade,tem cerca de 17kms de extensão, está na Ruta nacional 52, iniciando em Pumarmaca cm 2.192m de altitude e terminando no Jama a 4.170m...

 
 
Eu  tirei fotos fantásticas, e descer ali de moto é algo que todo motociclista aventureiro tem que fazer um dia... simplesmente fantástico... um sonho realizado.



Mais adiante cheguei no Salar Salinas Grandes, que nesse dia estava tomado por turistas, mesmo assim  entrei no Salar cm a moto e dei uma boa rodada dentro do Salar, é uma sensação muito gostosa pilotar ali por sobre o sal, andando em qualquer direção.



Deixando o adesivo Sucuris como marca de nossa passagem por aqui...






De Salinas Grandes toquei para San Salvador de Jujuy, entrei na cidade e parei numa Gomeria onde troquei o pneu traseiro, me custou 50 pesos argentinos a colocação (10 reais), mas eu mesmo que desmontei a roda, o cara só montou o pneu na roda.

De Jujuy toquei novamente para Salta chegando já a noite,  e fui pra mesma pousada que fiquei na ida, encontrei o Hugo e esposa que ainda estavam lá aguardando o retentor do cardã da BMW GS1200 dele pra prosseguir viagem. Estava exausto conversei rapidamente com o Hugo que me disse que o Paso continuava fechado, comi qualquer coisa e fui dormir.


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